3 de ago. de 2006

Observação (Im)Pertinente

No ônibus fretado, desses com bagageiro acima da poltrona, embarca um japonês. Ele traz uma jaqueta de couro posta em um cabide e toda embalada em plástico. Parece ser de algum valor ou, no mínimo, que será utilizada em ocasião pomposa. O japonês então apóia o cabide no bagageiro superior de modo que a vestimenta fique suspensa no ar e livre de qualquer contato. "Pronto, assim não amassa" ele pensa.

Me estranhou tamanho cuidado com uma roupa por parte de um homem, mas sendo ele japonês comecei a pensar na sociedade oriental, nas culturas ming, ping e pong, na culinária rica em alimentos naturais e, claro, no sinônimo de povo trabalhador que é o japonês. E lá se foi o ônibus, o japonês e a jaqueta pendurada no bagageiro por seu zeloso dono.

Um buraco. Dois buracos. Uma freada brusca, lombada...e outro buraco. Não tenho certeza de quantas vezes, mas o japonês bem que tentou manter a jaqueta estável durante os obstáculos urbanos, ora apenas erguendo a mão, ora erguendo-se para fixar o cabide com mais força. Pensei até na provável mulher do japonês, esperando ele (e a jaqueta) pontualmente (e sem amassos).

Acho que 5 minutos bastaram. O japonês se encheu da jaqueta, dos buracos, do cabide e do plástico. Arrancou a jaqueta do cabide, tirou do plástico, sacudiu algumas vezes no ar e estendeu-a no banco ao lado. Pra finalizar, balsfemou alguma coisa em japonês que eu não entendi nada. Mas sabia que não era educado.

Conclusão? Bem...achei engraçado todo o cuidado para depois mandar tudo pro inferno. Acho que independente da cultura, da raça ou do lugar de origem, homem pensa como homem sempre. Nem que demore 5 minutinhos a mais.

Um comentário:

Anônimo disse...

Eu gosto das chamadinhas... ;o)
Vc escreve ótimamente bem nê! Um bjaum